O Regresso (The Revenant) [SPOILERS]

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Pode esperar um incômodo constante. Dói e muito. Recém premiado como Melhor Filme e Melhor ator no Globo de Ouro 2016, O Regresso (The Revenant) é um filme que já começa visceral (literalmente), intenso e inquietante. Com uma fotografia de tirar o fôlego e momentos de frio, muito frio e é claro: sangue.  Baseado na obra de Michael Punke e roteirizado por Iñarritu, traz a história real do famoso explorador Hugh Glass.

Tem planos-sequência sim. Obrigado,  Iñarritu! 

Para quem ainda não viu o filme, esse post contém SPOILERS! VÁ EMBORA e depois volte 😛

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É em um desconhecido lugar no interior inóspito dos EUA, um grupo de caçadores que vendem peles de animais (percebemos que era muito valioso na época em lugares frios), enfrentam TODOS os tipos de dificuldades, emboscadas, tiros, flechadas, lutas corpo a corpo e confronto com animais. Sim, mais precisamente com um urso. Glass, personagem principal interpretado por Leonardo DiCaprio (se não ganhar o Oscar dessa vez, desiste Léo – mais além comentarei sobre a interpretação dele) é literalmente atacado por uma mãe ursa, que com o objetivo de proteger seus filhotes, mostra toda a sua fúria e força. Foi a cena mais realista de um ataque de animal que eu já vi em um filme. O urso é feito de CGI (mas muito real), e o incrível foi como conseguiram coordenar a cena muito bem. Glass parece um boneco no ataque, sofrendo incontáveis (literalmente rasgado) arranhadas, mordidas, é arremessado e tudo o que você imaginar. Que cena! Eu fechava os olhos, gemia, realmente sentindo a dor e a agonia do personagem. E esses machucados o acompanharão por todo o filme (e calma, não serão os únicos).

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Leonardo, que atuação! Que atuação! Se ele não levar o Oscar dessa vez, será injusto. A expressão de dor, fúria, raiva, ódio, luta pela vida é de tirar o fôlego! Glass luta pela vida em quase todos os momentos do filme e podemos sentir isso, literalmente. (Um salve para a maquiagem que é impecável). É o personagem principal e  Iñarritu não esconde isso. Ele capta com diversos closes a expressão, o olhar, machucados de alguém que vive e encontra sopros de vida pela vingança. Pude ver que ele se entrega aos filmes que faz, sem comparação ao magro e sem sal Jack de Titanic. (Eu chorei em todas vezes que eu vi, me julguem!). A respiração e os gemidos não são apenas sons: você pode perceber uma narrativa, como se fossem diálogos, com a expressão e efeitos sonoros.

ps: ele foi quase enterrado vivo e aquela terra…. af!

Aí é outro ponto que é predominante e rege Glass no roteiro: vingança e ódio. John Fitzgerald (Tom Hardy) assassina seu único filho a sangue frio nos olhares de Glass, que não pode se mexer e nem falar devido a seus ferimentos. (A agonia dele dói na alma!) Achei a atuação de Hardy boa, mas Dicaprio se destaca. Destaque novamente para a direção de arte, figurino e maquiagem.

A cultura indígena, suas magias e rituais estarão presentes em todo o filme e faz parte da vida do personagem Glass pois ele teve um filho que era do povo indígena, acompanha durante uma parte do filme e podemos perceber o seu amor por ele. Uma parte (que é uma crítica ao homem branco) foi uma fala de um personagem (que deve ser importante), onde um Francês diz que os índios haviam roubado as peles (de animais) deles. E ele responde: Vocês que roubaram nossos animais, ocuparam nossa terra e mataram nossos filhos. O discurso do Leonardo no Globo de Ouro tem muito a ver com essa parte do filme:

O melhor do filme: A FOTOGRAFIA. Fico imaginando o que enfrentaram para filmar as cenas no frio e gelo (li em uma entrevista que eles tinham 1h30 de luz natural então não poderia haver erros e várias tentativas). A fotografia de Emmanuel Lubezki (de A Árvore da Vida, GravidadeBirdman) e é claro, já tem um ótimo currículo. As locações foram do Canadá à Patagônia Argentina.

DIREÇÃO:

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Não vi todos os filmes que provavelmente concorrerão ao Oscar mas, em vários momentos pensei: nossa, que direção! Claro que podemos ver os incríveis planos-sequência principalmente nos ataques (a minha preferida é quando ele seguiu um cavalo em uma luta com os índios), não tanto como em Birdman mas, na medida certa.

Com cenas mais longas e sem cortes, senti que estava acompanhando o personagem naquele momento. Você pode achar o filme bem sombrio, com um tom azulado e frio durante todo o filme e também momentos mais parados, focando apenas no personagem e sem muitos diálogos (fora os que falam a língua nativa). Li que a fotografia utiliza três cores em todo o filme, basicamente. Cinza, azul e vermelho com suas variações. Percebi também que essas cores indicam o nível de sofrimento ou recuperação do personagem. Momentos mais sombrios, sangue e luta são acompanhados pela cor azul, cinza quando ele passa pela transição de melhora e tons avermelhados com ele se recupera (quase, até vir uma queda ou quase se afogando no rio) e também lembranças da família e da esposa. (Wow, adoro essas referências e cuidado com a narrativa/fotografia).

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Tenho uma palavra para esse filme: Sensorial. É quase que impossível mas, até o cheiro da mata, das fétidas vestimentas de pessoas que não tomam banhos há séculos, hálito (que maquiagem nos dentes do Leo!), o sangue, as feridas, os animais mortos…. No paladar, as carnes ingeridas cruas (nunca comi carne crua mas senti que tinha um gosto de sangue e músculo), a dor dos ferimentos e o frio.

O QUE NÃO GOSTEI:

As cenas em que ele está na água, em alguns momentos não achei muito realista e dava para perceber pela tonalidade e pelo fundo. O PIOR MOMENTO: no final, percebi um GRANDE erro de continuidade nos cabelos de Glass (a maior agonia do filme, sempre reparo nesses erros grotescos e me incomoda muito). Ele focou bastante no momento e não explicou muito como era a vida no passado com a sua família, etc.

Não sou muito de filmes desse gênero mais sombrio e dessa época específica mas, gosto de filmes que me deixem envolvida, desconfortável, ótimos personagens e maravilhada com a fotografia. O filme atingiu seu objetivo!

DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu

FICHA TÉCNICA

Roteiro: Mark L. Smith e Alejandro González Iñárritu
Título Original: The Revenant
Gênero: Faroeste, Aventura
Duração: 2h 31min
Ano de lançamento: 2015
Classificação etária: 16 anos
Lançamento: 4 de fevereiro de 2016 (Brasil)

Já viu o Filme? Comente!

AB 🙂

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