Meia Noite em Paris: As Ninféias de Monet

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Não tem como não assistir ao filme “Meia Noite em Paris” e não se impressionar com a cena onde os personagens estão diante das imensas telas de Monet.

A fachada do Museu, que fica na lateral do Jardim das Tulherias, parece pequeno, não revelando a fantástica surpresa que você verá na parte de dentro.

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A arquitetura abusa da luz natural, tanto no hall de entrada quanto nas salas ovais onde estão as pinturas principais. O museu foi adaptado para receber a exposição das Ninféias de Claude Monet. Os painéis foram instalados depois do falecimento do artista, em 1927.

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Recomendo muito a visita para quem gosta do estilo impressionista ou aprecia belos quadros. Infelizmente, muitas vezes, L’Orangerie por ser pequeno, não entra no roteiro de muitos turistas.

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Para podermos entender a inspiração e obra do Monet precisamos analisar o contexto histórico da época. O movimento impressionista surgiu no século XIX . Esses artistas já não se interessavam mais pelo realismo ou até mesmo pela academia. Eles queriam ver a obra em si mesmo, sem necessariamente ser fiel a realidade. A luz e o movimento em pinceladas leves, fortes mas sem limitações fizeram que começassem uma verdadeira revolução na arte (que, é claro, não foi bem aceita no começo).

“Eis aí a “impressão” real de uma cena da vida cotidiana. Monet não está interessado na estação ferroviária como lugar onde seres humanos se encontram ou se despedem; está fascinado pelo efeito da luz que escorre através do telhado de vidro e se mistura às nívens de vapor…” (Gombrich analisou em seu Livro A História da Arte – a minha bíblia rs – sobre o quadro Estação de St. Lazare abaixo).

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Os impressionistas tiveram que ir ainda mais longe do que qualquer outra geração, escreveu Gombrich. “Realizar a dissipação entre contornos claros e definidos pois sabiam que o olho humano é um instrumento maravilhoso. Basta fornecer a sugestão certa que eles se encarregam de construir para nós a imagem total que sabe estar ali.”

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Uma das duas salas ovais dedicadas aos quadros de Monet.

Claude Monet 

“O termo impressionismo surgiu devido a um dos primeiros quadros de Monet, “Impressão, nascer do sol”, de uma crítica feita ao quadro pelo pintor e escritor Louis Leroy: “Impressão, nascer do Sol” – eu bem o sabia! Pensava eu, justamente, se estou impressionado é porque há lá uma impressão. E que liberdade, que suavidade de pincel! Um papel de parede é mais elaborado que esta cena marinha.”

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Monet era apaixonado pelo seu Jardim em Giverny na França. Foi lá que produziu suas obras mais famosas. Em 1889, inspirado pelo lado e a vegetação do lugar criou vários quadros chamados de Nenúfares ou Ninféias em Português.

Sinopse da Coleção:

Em 1955, Alfred Barr trouxe um dos grandes painéis de Water Lilies (W1992) de Monet para a coleção do Museu de Arte Moderna de Nova York, numa época em que essas grandes “decorações”, ainda no estúdio em Giverny, começavam a aparecer. atrair a atenção de colecionadores e museus.
Monet foi apresentado na época como “uma ponte entre o naturalismo do início do impressionismo e a altamente desenvolvida escola de Arte Abstrata” em Nova York, com seus Water Lilies vistos no contexto de pinturas de Pollock, como Autumn Rhythm (número 30), 1950. A recepção dessas obras posteriores de Monet ressoou com a American Abstract Expression, que chegou às coleções do museu. Ao mesmo tempo, a ideia de “Impressionismo Abstrato” foi forjada.
A exposição no Musée de l’Orangerie centra-se neste momento preciso – quando as grandes decorações do mestre de Giverny foram redescobertas e a Escola de Arte Abstrata de Nova Iorque foi reconhecida – com uma selecção de algumas das obras posteriores de Monet e cerca de vinte grandes obras. pinturas de artistas americanos como Jackson Pollock, Mark Rothko, Barnett Newman, Clyfford Still, Helen Frankenthaler, Louis Morris, Philip Guston, Joan Mitchell, Mark Tobey, Sam Francis, Jean-Paul Riopelle e Ellsworth Kelly.
Na entrada do Water Lilies, há uma homenagem a Ellsworth Kelly, o artista abstrato americano que morreu em 2015 e cujo trabalho ainda está em diálogo com o de Monet. Esta exposição foi projetada por Eric de Chassey com o apoio dos Amigos Americanos do Musée d’Orsay e do Musée de l’Orangerie.

Curador geral
Cécile Debray, diretora do Musée de l’Orangerie

Como as salas não são tão grandes, se enchem rapidamente de turistas então recomendo ir logo pela manhã. É um museu pequeno e não tão cansativo. Você ainda pode sair, passar pela Praça de la Concorde e quem sabe andar pelas ruas da Champs Elysees.

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Curiosidade:

O nome “Orangerie” vem o francês laranjal e era utilizado como uma estufa na estação gelada no inverno para as laranjeiras do Palácio das Tulherias.

Além de Monet, você pode admirar os trabalhos de Paul Cézanne, Henri Matisse, Amedeo Modigliani, Pierre-Auguste Renoir, Henri Rousseau, Chaim Soutine, Alfred Sisley e Maurice Utrillo entre outros.

 Cena do Filme Meia Noite em Paris – L’Orangerie e Monet

Monet, quase no final da sua vida,  respondeu uma carta a Evan Chateris (1926), afirmando hulmildimente: “meu único mérito foi o de ter pintado diretamente da natureza com o objetivo de exprimir minhas impressões diante dos efeitos mais fugidios”.

Monet gastou 12 anos de sua vida nas composições sobre o mesmo tema e mais de 2 anos nas obras que estão expostas no L’Orangerie.

Assista em filme raríssimo, Monet inspirando-se e pintando em sua paixão: seu jardim em Giverny. Gostaria muito de ter ido agora em Maio, mas nos dias em que agendei para ir até lá, infelizmente, choveu. Mas com certeza voltarei!

 

Informações:

Abertura das 9:00h às 18:00h \ Todos os dias, exceto às terças-feiras, 1º de maio, a manhã de 14 de julho, e 25 de dezembro \ Nenhuma entrada será permitida após às 17:15h

Como chegar?

  • Metrô: linhas 1, 8 e 12 – estação Concorde
  • Ônibus : 24, 42, 52, 72, 73, 84, 94 parada Concorde

Ingressos

Iinteira: 9€ / tarifa reduzida: 6,50€ / gratuita nos primeiros domingos de cada mês

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Adri muito feliz! 😉

Considerações Gerais e Dicas:

  • Vá cedo para evitar filas pois as salas ovais se ficarem cheias podem atrapalhar a visão como um todo.
  • Compre o Museum Pass com certeza! Ajuda muito a não se preocupar com filas.
  • O Museu é relativamente pequeno comparado aos outros, então aproveite a ida ao Jardim/Palácio das Tulherias para aproveitar a visita.
  • Não são permitidas bolsas grandes ou fotos com flash
  • Eu achei que valeu muito a visita, ainda mais se Giverny estiver em seu plano de roteiro.
  • Site Oficial do L’Orangerie

Você visitou o Museu e Giverny? Conta para mim como foi sua experiência!

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